A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e a Profilaxia Pós-Exposição (PEP) representam avanços notáveis na prevenção do HIV, mas também levantam preocupações importantes no campo das doenças sexualmente transmissíveis (ISTs). Com a crescente confiança na eficácia dos antirretrovirais, muitos jovens têm abandonado o uso de preservativos, o que pode criar uma falsa sensação de segurança e contribuir para o aumento de outras ISTs bacterianas.

Abandonar o preservativo pode impulsionar ISTs bacterianas.

A PEP e a PrEP são eficazes contra o HIV, mas não oferecem proteção contra outras infecções, como sífilis, clamídia e gonorreia. No Brasil, por exemplo, mais de 1,5 milhão de casos de sífilis foram registrados desde 2010, com uma taxa de 113,8 casos por 100 mil habitantes. O fenômeno não é exclusivo do Brasil; na Europa, o aumento nos casos de gonorreia levou a alertas sobre cepas resistentes a antibióticos tradicionais, como a ceftriaxona.

A resistência crescente aos antibióticos é uma preocupação central. Os testes rápidos de amplificação de ácidos nucleicos (NAAT) detectam o DNA bacteriano, mas não indicam a viabilidade do microrganismo ou a eficácia do tratamento, destacando a necessidade do retorno a métodos tradicionais de cultura e testes de sensibilidade.

A educação em saúde e vigilância microbiológica são fundamentais para evitar uma crise maior de resistência antimicrobiana. Sem estes elementos, a distribuição de antibióticos pode promover o desenvolvimento de superbactérias.

Recentemente, a Conitec recomendou a incorporação da DoxyPEP no Sistema Único de Saúde (SUS), com a administração de 200 mg de doxiciclina até 72 horas após sexo desprotegido. Estudos indicam que a DoxyPEP pode reduzir significativamente os casos de sífilis e clamídia, embora sua eficácia contra a gonorreia seja limitada devido à resistência às tetraciclinas. Isso reforça a necessidade de uma abordagem integrada que inclua o uso de preservativos, educação em saúde e vigilância microbiológica rigorosa.

Para os farmacêuticos, isso representa um desafio contínuo em termos de educação do paciente e promoção de práticas seguras. O curso Farmácia Clínica e Serviços Farmacêuticos pode oferecer insights valiosos sobre como lidar com essas questões no dia a dia profissional.