Recentemente, estudantes e profissionais de farmácia do Chile tomaram as ruas de Santiago e Valparaíso em uma mobilização sem precedentes. O alvo dos protestos é um projeto de lei que propõe acabar com a exclusividade do farmacêutico na Direção Técnica das farmácias, permitindo que técnicos e outros profissionais de saúde assumam essa responsabilidade.

A dispensa de medicamentos vai além da simples entrega de caixas.

Os defensores do projeto alegam que a medida facilitaria a abertura de farmácias em áreas rurais com baixa cobertura farmacêutica, citando o custo e a disponibilidade do farmacêutico como barreiras. No entanto, há um consenso entre os profissionais de que essa mudança pode transformar farmácias em meros pontos de venda, desvalorizando o complexo ato clínico envolvido na dispensação de medicamentos.

Os farmacêuticos chilenos argumentam que a dispensa de medicamentos exige uma revisão criteriosa da prescrição, identificação de riscos potenciais, orientação sobre interações e garantia de segurança sanitária. Estas competências são únicas do farmacêutico e não devem ser delegadas a outros profissionais sem formação específica.

No Brasil, essa situação ressoa de maneira familiar. Os farmacêuticos brasileiros frequentemente enfrentam o desafio do desvio de funções dentro das farmácias e lutam pela manutenção de sua autonomia clínica. A situação no Chile serve como um alerta para a importância de se manter uma autonomia técnica inquestionável e o reconhecimento do papel do farmacêutico como essencial no cuidado à saúde.

Retirar o especialista do balcão compromete a saúde pública e não resolve o acesso geográfico.

A Inspifar se solidariza com a luta dos colegas chilenos, reforçando que a farmácia é e deve continuar sendo um estabelecimento de saúde. A presença do farmacêutico é inegociável em qualquer local onde medicamentos sejam dispensados. Essa situação sublinha a necessidade de uma vigilância constante e posicionamento ativo para proteger e valorizar o papel do farmacêutico na sociedade.

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